DMT e IMUNOMODULAÇÃO



Neste artigo fantástico o cientista húngaro Attila Szabo explora as relações entre os psicodélicos e respostas imunológicas.

Download do artigo completo em inglês

Resumo do artigo:

Psicodélicos clássicos são substâncias psicoativas, os quais, para além da sua atividade psicofarmacológica, também têm mostrado exercer efeitos modulatórios significativos nas respostas imunológicas através da alteração das vias de sinalização envolvidos na inflamação, proliferação celular e sobrevivência celular através de ativação do NF-kB e proteínas quinases ativadas por mitógenos. Recentemente, vários receptores de neurotransmissores envolvidos na farmacologia de psicodélicos, tais como serotonina e receptores sigma-1, também têm mostrado desempenhar um papel crucial em muitos processos imunológicos. Este campo emergente também oferece modalidades de tratamento promissores na terapia de várias doenças, incluindo doenças auto-imune e condições inflamatórias crônicas, infecções e câncer. No entanto, a escassez de revisão da literatura disponível torna o tópico obscuro, principalmente colocando psicodélicos como drogas de abuso e não como moléculas fisiologicamente relevantes ou como possíveis agentes de farmacoterapias no futuro. Neste trabalho, o potencial imunomodulador de psicodélicos serotoninérgicos clássicos, incluindo N,N-Dimetiltriptamina (DMT), 5-metoxi-N, N-dimetiltriptamina (5-MeO-DMT), dietilamida do ácido lisérgico (LSD), 2,5- dimetoxi-4-iodoamphetamine, e 3,4-metilenodioxi-metanfetamina (MDMA) será discutida do ponto de vista da imunologia molecular e farmacologia. Será dada especial atenção para a interação funcional de serotonina e os receptores sigma-1 e sua comunicação com a sinalização mediada pelo receptor de reconhecimento de padrões toll-like e RIG-I-like. Além disso, novas abordagens viáveis serão sugeridas para o tratamento de doenças de etiologia inflamatória crônica e patologias tais como a aterosclerose, artrite reumatóide, esclerose múltipla, esquizofrenia, depressão e doença de Alzheimer.


Estágios Visuais da Viagem com DMT

Estágios Visuais da Viagem com DMT


Traduzido e adaptado: Equipe DMT Brasil

0-20 segundos: sensação de aspereza nos pulmões

20-30 segundos: um zumbido nos ouvidos, subindo de tom e volume a uma intensidade incrível. É como papel celofane sendo rasgado, ou o tecido do universo se dilacerando. Seu corpo vibrará em sintonia com este som e um aumento nos batimentos cardíacos será percebido. Você pode sentir como se estivesse profundamente submergido em água. O seu campo visual também vibrará em ressonância com o som e será finalmente obscurecido pelas visões. 

30-60 segundos: você rompe (breaktrough) para dentro do hiperespaço do DMT. Neste momento, muitos usuários têm a sensação de que morreram ou que seu coração parou de bater, mas isto não é verdade. Para um observador de fora, você está respirando normalmente e seus batimentos cardíacos, ainda que acelerados, são fortes. Acreditamos que esta sensação subjetiva é devido ao seu "relógio interno" estar sendo retardado tanto que o intervalo entre um batimento cardíaco e uma respiração parece uma eternidade. DMT sintético tem sido testado há décadas por autoridades médicas nos EUA e Europa. É perfeitamente seguro e sem efeitos físicos duradouros. Entretanto, desde que o DMT provoca um aumento súbito nos batimentos cardíacos ele pode não ser recomendado para pessoas que normalmente possuem a pressão alta. 

01 - 05 min: dependendo da dosagem: hiperespaço DMT. Para todos os efeitos práticos, você não estará em seu corpo. Você estará fazendo parte da rede de informação intergaláctica. Você pode experimentar um ou mais dos seguintes efeitos:
- Senso de estar transcendendo o tempo e o espaço;
- Formas vegetais e semi-vegetais estranhas; 
- O universo vibratório sem forma;
- Máquinas estranhas;
- Música alienígena;
- Línguas alienígenas, compreensíveis ou não;
- Entidades inteligentes em formas variadas. 

Não fique espantado, e muito menos tente ativamente dirigir suas observações, apenas relaxe e perceba o que está sendo mostrado a você. As entidades podem lhe mostrar coisas incríveis, mas uma vez que você tenta impor sua vontade a viagem, você vai acabar percebendo que não consegue e poderá ficar assustado. Relaxe e confie. 

Ao final do ápice das visões, você provavelmente terá uma visão maravilhosa de formas geométricas coloridas. Ele é descrito como olhar para um teto abobadado ou cúpula. Se você não rompeu tudo nos primeiros minutos é provável que toda sua viagem seja recheada com estas figuras geométricas, ou "padrão crisântemo" como é chamado. Vale a pena também. 

Você poderá começar a imaginar como irá encontrar o caminho de volta para seu corpo. Se você tiver ingerido o suficiente para romper totalmente, quando começar a especular como voltar, isso já significa que está voltando. Confie em si próprio, seu corpo e sua psique irão ser reunidos novamente. Preocupação só vai alongar o processo e fazê-lo desviar a atenção da experiência. 

05 - 12 min: as visões abrandaram. Os padrões ainda continuam quando você fecha os olhos, mas com eles abertos o mundo está de volta. Nesta fase é comum que uma enxurrada de informações preencha sua mente, como um download cósmico. Esta fase é passageira. A fim de preservar seus insights, algumas pessoas sugerem que você comece a falar assim que sair do estado visionário. Não tente frases completas, mas ponha para fora quantas idéias você conseguir. Prepare um gravador de voz previamente para você gravar suas idéias neste momento e escutá-las depois. 

15 - 30 min: a enxurrada de idéias vai gradualmente desaparecendo deixando-o eufórico. Você pode ter ainda um traço das vibrações em seu corpo. 

30 - 60 min: a euforia diminui. 

60 min + : você está completamente de volta. 

Nota: enquanto permanece uma recomendação prudente não misturar DMT com outros alucinógenos, algumas pessoas têm reportado excelentes resultados utilizando DMT antes de ingerir outros alucinógenos como LSD ou Cogumelos Psilocybe. A técnica é ingerir o segundo alucinógeno apenas quando os efeitos mais fortes do DMT tiverem abrandado, a viagem resultante será mais profunda e irá ajudá-lo a compreender as estranhas e exóticas visões que foram mostradas a você. 

Dica: se a descrição dos efeitos do DMT soaram muito fortes para você, e nós certamente não negamos que o DMT produz uma experiência forte, você pode misturar 25mg de DMT com alguma erva e fumar lentamente num bong ou enrolado em papel. O efeito no humor é bastante agradável. Entretanto, antes de fumar todo o seu DMT nós recomendamos que você tente pelo menos uma vez uma viagem completa como descrito acima. 




DMT - Linha do Tempo



Retirado de: Erowid DMT Time Line
Traduzido e adaptado: Equipe DMT Brasil
  • Século 8:  Sepultura no norte do Chile é encontrada com sacola contendo ferramentas para soprar rapé e restos de rapé. Depois de analisado constatou-se que continha N,N-DMT, 5-Meo-DMT e bufotenina. Em outros sítios arqueológicos foram encontrados sementes de Anadenanthera peregrina (planta da qual se faz o rapé Yopo). 
  • 1496:  Frei Ramon Pane documenta o uso do rapé psicoativo cohoba/yopo entre os índios Taino que habitavam o Haiti e a República Dominicana. É um consenso entre os atuais pesquisadores que o rapé cohoba/yopo é feito das sementes da Anadenanthera peregrina, que contém N,N-DMT, 5-Meo-DMT e bufotenina.
  • 1560: Índios ao longo do rio Guaviare tomam rapé de yopo com tabaco. 
  • Século 16-19: Cohoba e Yopo são utilizados pelos indígenas da Colômbia e imediações.
  • 1571: Xamã inca faz profecias através da inebriação causada por uma bebida chamada vilca que contém DMT, preparada através da Anadenanthera colubrina. 
  • 1741: Jesuíta escreve sobre o uso de cohoba entre os nativos da Colômbia e Venezuela. 
  • 1801: Barão Alexander Humbolt identifica a árvore do yopo como sendo Anadenanthera peregrina.
  • 1931: DMT é sintetizado pela primeira vez pelo químico britânica Richards Manske e chamada de 'nigerina'.
  • 1939: O gênero Virola é identificada como a fonte do rapé epena/paricá utilizado na bacia amazônica (Colômbia, Venezuela e Brasil). 
  • 1955: N,N-DMT é identificado pela primeira vez como o ingrediente do rapé cohoba preparado a partir das sementes de Anadenanthera peregrina. Isto marca a primeira vez que o N,N-DMT foi descoberto naturalmente ocorrendo numa planta ou animal. Os autores especulam que é psicoativo. 
  • 1956: Primeira publicação científica relatando os efeitos psicoativos do N,N-DMT pelo cientista húngaro Stephen Szára.
  • 1968: O Escritório para o Controle do Abuso de Drogas dos Estados Unidos reporta que o DMT está disponível nas ruas, tanto na forma de pó como impregnado na marijuana ou chá. 
  • 1971: N,N-DMT se torna ilegal nos EUA com a passagem da Convenção sobre Substâncias Psicotrópicas de 1971. 
  • 1990: O psiquiatra norte-americano Rick Strassman, da Universidade do Novo México, conduz a primeira pesquisa com sujeitos humanos experimentando os efeitos do N,N-DMT. Seus resultados são publicados no livro DMT - A Molécula do Espírito. 
  • 1995-2015: Os efeitos do N,N-DMT através dos extratos obtidos da casca da raiz da Jurema-Preta (Mimosa hostillis) e do rapé yopo são experimentados por centenas de milhares de pessoas ao redor do mundo. 
  • 2010: O filme "DMT - A Molécula do Espírito" é lançado nos Estados Unidos. 
  • 2015: A busca com a palavra-chave "dimethyltryptamine" no indexador de periódicos Science Direct retorna com 2.321 resultados. 

Índios da bacia amazônica aplicando rapé de Yopo (A. peregrina)

Referências:

(1) Jonathan Ott. (2001) Shamanic Snuffs or Entheogenic Errhines. Entheobotanica.
(2) Stephen Szára (1956) “Dimethyltryptamin: Its Metabolism in Man the Relation of its Psychotic Effect to the Serotonin Metabolism”. Experientia. November;12(11):441-2.
(4) Rick Strassman (1996) Human psychopharmacology of N,N-Dimethyltryptamine. Behavioural Brain Research 73 (1996) 121-124

DMT - Entre a Vida e a Morte



Retirado gentilmente do site Plantando Consciência: http://plantandoconsciencia.org/novoblog/2015/06/15/dmt-vida-morte/

Por Eduardo Schenberg

De todos os psicodélicos, a DMT é provavelmente a mais intrigante. Presente em centenas de espécies vivas como parte natural de seu metabolismo, faz parte também do metabolismo humano. Mas o que esta DMT endógena faz, porque evoluímos capazes de sintetizar e utilizar DMT permanece completamente misterioso e desconhecido para a ciência.
Em busca de mais conhecimento sobre este mistério, os cientistas Húngaros Ede Frecska e Áttila Szabó elaboraram uma teoria elegante e promissora. A primeira peça foi encontrada ao estudar a enzima (proteína que interage no metabolismo de outras moléculas) responsável pela formação da DMT em nossos corpos, a INMT. Ela foi encontrada em pulmão de coelhos em 1961 por Julius Axelrod, que em 1970 ganharia o prêmio Nobel de Medicina e Fisiologia por seus estudos sobre a neurotransmissão. Se é nos pulmões que encontra-se a maior quantidade de INMT em todo o corpo, a segunda peça do quebra cabeças são os pulmões (ao invés da glândula pineal, como proposto por outros cientistas como Rick Strassman).Os pulmões, além de conter grande quantidade da enzima INMT, contém uma proteína qua a inibe. Ou seja, estão prontos para sintetizar DMT, mas o gatilho não pode ser puxado. A não ser que esta inibição seja de alguma forma removida em algum momento. E se for removida, a síntese de DMT seria rápida e intensa. A terceira peça fundamental da teoria é o fato de que o sangue contém enzimas que podem metabolizar compostos parecidos com a DMT (“quebrá-los” em moléculas menores sem as mesmas propriedades fisiológicas). Entretanto, a enzima que faz isso, chamada monoamino-oxidase (MAO) existe em dois tipos, sendo que a forma presente no sangue não metaboliza a DMT. Ou seja, ela pode viajar intacta pelas artérias percorrendo todo o trajeto desde os pulmões até o cérebro (e para todo o corpo também, mas primeiramente ao cérebro, dada a anatomia das chamadas pequena e grande circulação). Assim, os pulmões são um grande reservatório secreto de DMT. Possuem todas as capacidades necessárias para rapidamente sintetizar DMT em grandes quantidades e liberá-la na corrente sanguínea, potencialmente inundando o cérebro com quantidades consideráveis de DMT em poucos segundos se, e apenas se, a inibição da INMT for cancelada.  Mas ainda restam mais peças para completar a teoria. Pois o cérebro é um órgão delicado e muito bem protegido. Existe uma espécie de filtro (a barreira hematoencefálica) que barra a penetração de uma infinidade de substâncias, protegendo o delicado sistema nervoso de visitantes indesejados. Mas há algumas coisas que passam esta barreira lentamente (como é o caso de drogas psicoativas, alguns nutirentes e muitas toxinas também). E há também alguns raros casos em que o corpo investe energia para que certas moléculas entrem rapidamente no cérebro, como por exemplo a glicose, fonte fundamental de energia para as células cerebrais. Espantosamente, foi demonstrado recentemente, em uma série de estudos fascinantes, que o corpo investe energia para transportar DMT para dentro do cérebro.

Aqui vale a pausa pra respirar fundo. A importância deste fator é imensa. O corpo só investe energia em transportar para o cérebro aquilo que é absolutamente essencial. Se o corpo investe energia para levar DMT ao cérebro, ela só pode ser preciosa, muito preciosa.

E tem mais. A quinta e última peça da elegante teoria Húngara é que além de ter passaporte VIP para o cérebro, a DMT também é preciosa para os neurônios, que investem mais energia para internalizá-la. Dentro das células, a DMT pode se ligar em um receptor chamado Sigma-1, que fica localizado próximo das mitocôndrias, que são o pulmão celular, a central enrgética e respiratória de todas as células (este receptor e suas relações com as mitocôndrias também são chave paraminha própria teoria sobre ayahuasca no tratamento do câncer).
Ou seja, segundo a teoria de Ede e Áttila, a DMT é uma mensagem química dos órgãos pulmonares (os pulmões) para as organelas pulmonares (as mitocôndrias). Uma espécie de elo fractal entre a respiração macro e micro. Quando então que essa mensagem seria entregue? Por qual razão especial deveria o corpo investir energia em liberar DMT e por qual razão especial o cérebro teria evoluído com estes sofisticados mecanismos para captar e utilizar DMT?
Dada a literatura já bem conhecida sobre DMT, experiências espirituais, experiências psicodélicas e viagens de quase-morte e experiências fora do corpo, os cientistas Húngaros, seguindo os passos do também Húngaro Stephen Szára, pioneiro em descobrir a psicoatividade da DMT nos anos 50, e os passos de Rick Strassman, pioneiro no estudo da DMT e fenômenos espirituais, lançaram a hipótese de que o papel fundamental da DMT é resgatar o cérebro da hipóxia na hora da morte.
Quando entramos em morte clínica (um processo de cerca de 5 minutos) em que as funções do coração e do corpo entram em colapso, o cérebro entra num estado de hipóxia: falta de oxigênio. E as células cerebrais são muito pouco resistentes a este estado, ficam enfermas e morrem rapidamente. Um mecanismo de sobrevivência e proteção cerebral seria então enviar DMT para as mitocôndrias para auxiliá-las em sua função na diminuição do aporte de oxigênio que ocorre durante o processo de morte clínica. E seria a própria falência das funções centrais, como os batimentos cardíacos, o sinal para liberar a produção de DMT nos pulmões.
Ou seja, com o início do processo de morte clínica, a inibição da INMT pulmonar seria cancelada, os pulmões sintetizariam, em frações de segundos, enormes quantidades de DMT, que em mais algumas frações de segundos chegaria para resgatar as células neurais da hipóxia, fornecendo chance de sobrevivência para o organismo. Um elegante e sofisticado mecanismo de sobrevivência!
Para começar a investigar a questão experimentalmente, os Húngaros lançaram uma campanha de arrecadação coletiva na internet para juntar 30 mil dólares para testar os efeitos da DMT em neurônios cultivados em laboratório, com esperanças de no futuro moverem-se em direção a testes com seres humanos em UTIs e sistemas de resgate e emergência em acidentes.
Não apenas uma pérola da ciência psicodélica, mas talvez um grande avanço na medicina intensiva que pode vir a salvar milhões de vidas (e almas) em um futuro próximo.

Colabore, participe, doe!



Comunicação Programada Durante Experiências com DMT

por Timothy Leary

Publicado originalmente em inglês na revista: Psychedelic Review #8, 1966

Retirado gentilmente do blog: Mundo Cogumelo



Durante os primeiros dois anos do Harvard Psychedelic Research Project (Projeto de Pesquisa Psicodélica de Harvard) circularam rumores sobre um “poderoso” agente psicodélico chamado dimetiltriptamina: ou DMT. O efeito dessa substância deveria durar menos que uma hora e produzir efeitos estilhaçantes e aterrorizadores. Dizia-se que era a bomba atômica da família psicodélica.
O farmacologista húngaro Stephen Szara foi quem primeiro reportou, em 1957, que as substâncias N,N-Dimetiltriptamina (DMT) e N,N-Dietiltriptamina (DET) produziam efeitos no homem similares ao LSD e mescalina. A única diferença era na duração: enquanto LSD e mescalina tipicamente duravam de 8 a 10 horas, o DMT durava de 40 minutos a uma hora, e o DET de duas a três horas. Também foi relatado que os homólogos dipropiltriptamina e dibutiltriptamina eram ativos, mas menos potentes. A substância-mãe, triptamina, por si só não tem efeito. Quimicamente, o DMT está intimamente relacionado com a psilocibina e a psilocina (4-hidroxi-N-dimetiltriptamina), assim como à bufotenina (5-hidroxi-N-dimetiltriptamina). O mecanismo de ação do DMT e componentes relacionados ainda é um mistério científico. Como LSD e psilocibina, o DMT tem a propriedade de aumentar o modificação metabólica da serotonina no corpo. Uma enzima capaz de converter triptamina natural do corpo em DMT foi recentemente descoberta em alguns tecidos de mamíferos. Isso sugere que pode haver mecanismos para o corpo converter substâncias internas naturais em componentes psicodélicos. (1,2,3,4,5).
O DMT foi identificado como um dos componentes da semente Mimosa hostilis, de onde os índios Pancaru do Pernambuco, Brasil, preparam uma bebida alucinógena que eles chamam de Vinho da Jurema. Também é, junto com a bufotenina, um dos componentes das sementes da Piptadenia peregrina, de onde os índios do Orinoco Basin e Trinidad preparam um pó alucinógeno que eles chamam de yopo (6).
William Burroughs experimentou a substância em Londres e relatou-a nos termos mais negativos. Burroughs estava trabalhando na época em uma teoria da geografia neurológica — algumas áreas corticais seriam celestiais; outras, diabólicas. Como exploradores chegando a um novo continente, seria importante mapear as áreas amistosas e as hostis. Na cartografia farmacológica de Burroughs, o DMT lançava o viajante em um território estranho e decididamente não amigável.
Burroughs contou uma história interessante sobre um psiquiatra em Londres que experimentou DMT com um amigo. Após alguns minutos, o assustado amigo começou a pedir ajuda. O psiquiatra, ele mesmo já rodopiando em um universo de pigmentos móveis e vibratórios, alcançou sua agulha hipodérmica (que já tinha se fragmentado em um composto trêmulo de mosaicos ondulares) e se inclinou para aplicar o antídoto. Para seu desgosto, seu amigo — se contorcendo de pânico — foi subitamente transformado em um réptil serpenteante, encrustado de jóias e faiscante. O dilema do doutor: onde aplicar uma injeção intravenal em uma cobra marciana-oriental se debatendo?
Alan Watts tinha uma história de DMT a contar. Ele experimentou a droga como parte de uma pesquisa na Califórnia e tinha planejado provar que poderia manter controle racional e fluência verbal durante a experiência. O equivalente mais próximo disso seria tentar uma descrição momento-a-momento das reações de alguém que foi atirado de um canhão atômico de neon bizantino. O Dr. Watts deu uma descrição assombrada sobre fusão perceptiva.
No outono de 1962, durante uma série de três dias de palestras na Southern California Society of Clinical Psychologists, me encontrei em uma discussão com um psiquiatra que estava coletando dados sobre o DMT. Ele havia ministrado a droga para mais de 100 cobaias e apenas 4 tiveram experiências prazeirosas. Isso era um desafio para a hipótese de “ambiente-condição” (set-setting). Conforme nossas evidências — e alinhado com nossa teoria — encontramos poucas diferenças entre drogas psicodélicas. Estávamos ceticamente convencidos que as elaboradas variações clínicas alegadamente encontradas em reações a diferentes drogas eram puro folclore psicodélico. Estávamos firmes em nossa hipótese de que drogas não têm efeitos específicos na consciência, com exceção daqueles da expectativa, preparação, clima emocional e relações com o “fornecedor” da droga — fatores responsáveis por todos os diferentes tipos de reação.
Estávamos ansiosos para ver se a lendária “droga do terror”, o DMT, se enquadraria na teoria do “ambiente-condição”.
Uma sessão foi arranjada. Fui para a casa do pesquisador, acompanhado de um psicólogo, um monge Vedanta e duas amigas. Após uma longa e amigável discussão com o médico, o psicólogo deitou em um sofá. A cabeça de sua amiga repousava em seu peito. Me sentei na extremidade do sofá, sorrindo reconfortantemente. Uma dose intramuscular de 60 mg de DMT foi aplicada.
Em dois minutos, o rosto do psicólogo já estava brilhando de alegria serena. Pelos próximos 25 minutos ele respirou profundamente e murmurou de prazer, mantendo um relato divertido e de êxtase sobre suas visões.
“Os rostos na sala se tornaram mosaicos de bilhões de faces em tons ricos e vibrantes. As características faciais de cada um dos observadores em volta da cama eram a chave para suas heranças genéticas. Dr. X (o psiquiatra) era um índio americano bronzeado com pintura cerimonial completa no corpo; o monge hindu era um profundo e espiritual habitante do meio-oeste com olhos que, de uma só vez, refletiam perspicácia animal e a tristeza de séculos; Leary era um irlandês malandro, um capitão com pele encouraçada e rugas nos cantos de olhos, que já haviam olhado longa e duramente o inescrutável, um comandante aventureiro ansioso por mapear novas águas, explorar o próximo continente, exsudando a confiança que vem com a bem-humorada consciência cósmica de sua missão — genética e imediata. Próximo a mim, ou melhor, sobre mim, ou melhor, dentro de mim, ou melhor, além de mim: Billy. A pele dela estava vibrando em uma harmonia com a minha. Cada estalar de músculo, o exato curso do sangue em suas veias… era um assunto de intimidade absoluta… Mensagens do corpo de uma suavidade e sutileza tanto estranhamente eróticas quanto deliciosamente familiares. Profundamente dentro, um ponto de calor em minha virilha lentamente — mas poderosa e inevitavelmente — irradiou por todo meu corpo até que cada célula se tornou um sol emanando seu próprio fogo originador da vida. Meu corpo era um campo de energia, um conjunto de vibrações com cada célula pulsando em fase com todas as outras. E Billy, cujas células agora dançavam a mesma dança, não era mais um entidade discreta, mas uma parte ressonante do conjunto único de vibrações. A energia era amor”.
Exatamente 25 minutos após a administração, o psicólogo sorriu, suspirou, sentou jogando as pernas no lado do sofá e disse: “Durou por um milhão de anos e uma fração de segundo. Mas acabou e agora é a sua vez”.
Com esse precedente assegurador, tomei posição no sofá. Margaret sentou no chão segurando minha mão. O psicólogo sentou ao pé do sofá, irradiando benevolência. A droga foi administrada.
Minha primeira experiência com DMT
“Minha experiência com DMT ocorreu na mais favorável condição. Tínhamos acabado de presenciar a experiência extática de meu colega e a radiância de sua reação forneceu uma estrutura otimista e segura. Minhas expectativas eram extremamente positivas.”
“Cinco minutos após a injeção, deitado confortavelmente na cama, senti os sintomas típicos da aproximação psicodélica — uma soltura somática prazeirosa, um afinamento sensitivo a sensações físicas.”
“Olhos fechados… visões típicas de LSD, a beleza rara do maquinário retinal e físico, transcendência da atividade mental, desapego sereno. Consciência reconfortante da mão de Margaret e a presença de amigos.”
“De repente, abri meus olhos e sentei… a sala era celestial, brilhando com iluminação radiante… luz, luz, luz… as pessoas presentes estavam transfiguradas… criaturas que pareciam deuses… estávamos todos unidos em um organismo. Abaixo da superfície radiante pude ver o delicado e fantástico maquinário de cada pessoa, a rede de músculos, veias e ossos — excelentemente lindo e unido, tudo parte do mesmo processo.”
“Nosso grupo estava comungando uma experiência paradisíaca — cada um no seu turno estava recebendo a chave da eternidade — agora era a minha vez, eu estava experimentando esse êxtase pelo grupo. Mais tarde, outros iriam embarcar. Éramos membros de uma coletividade transcendente.”
“O Dr. X me auxiliou delicadamente… me deu um espelho onde vi meu rosto como um retrato em vidro manchado.”
“O rosto de Margaret era como o de todas as mulheres — esperta, bela, eterna. Seus olhos eram completamente femininos. Ela murmurou exatamente a mensagem certa: ‘Pode ser sempre desse jeito’.”
“A incrível unidade complexa do processo evolutivo — incrível, infinita em sua variedade — por quê? Para onde está indo? etc… etc. As velhas perguntas e então a gargalhada de aceitação divertida, extática. Demais! Muito! Esqueça! Não pode ser deduzida. Ame-a em gratidão e aceite! Iria me inclinar para buscar significado na face tingida e chinesa de Margaret, mas caí de volta no travesseiro em reverência. Gargalhada estupefata.”
“Gradualmente, a iluminação brilhante foi recuando para o mundo tridimensional e me sentei. Renascido. Renovado. Radiante com afeição e reverência.”
“Essa experiência me levou ao ponto mais alto da iluminação com um enteógeno — um satori -pedra-preciosa. Foi menos interno e mais visual e social que minhas experiências usuais com LSD. Não houve um segundo de medo ou emoção negativa. Só alguns momentos de paranóia benigna (agente do grupo divino etc).”
“Fui deixado com a convição de que o DMT oferece muito potencial como um gatilho transcendental. A brevidade da reação tem muitas vantagens — fornece segurança com a certeza de que acabará em meia hora e pode possibilitar a exploração precisa de áreas transcendentais específicas.”

Ambiente-condição na experiência programada
Imediatamente depois de minha primeira viagem com DMT, a droga foi administrada ao monge hindu. Esse dedicado homem esteve 14 anos em meditação e renúncia. Era um sannyasin, ordenado para vestir o manto sagrado laranja. Ele havia participado de diversas sessões com drogas psicodélicas, com resultados extremamente positivos, e estava convencido de que a estrada bioquímica para o samadhi era não apenas válida mas talvez o método mais natural para pessoas vivendo em uma civilização tecnológica.
Sua reação ao DMT foi, contudo, confusa e desconfortável. Catapultado na súbita perda do ego, ele lutou para racionalizar sua experiência em termos de técnicas hindús clássicas. Se manteve olhando indefeso e perdido para o grupo. Prontamente, em 25 minutos ele se sentou, riu e disse: “Que viagem foi essa?! Realmente terminei preso em alucinações cármicas!”.
A lição era clara. O DMT, como outras chaves psicodélicas, podia abrir uma infinidade de possibilidades. Mas ambiente, condição, sugestionabilidade e estrutura da personalidade estavam sempre lá como filtros, através dos quais a experiência extática podia ser distorcida.
Na volta a Cambridge, arranjos foram feitos com uma empresa farmacêutica e com nosso consultor médico para conduzirmos uma pesquisa sistemática com a nova substância. Durante os próximos meses fizemos mais de 100 sessões — no início, exercícios de treino para pesquisadores experientes e, depois, testes com pessoas completamente inexperientes em assuntos psicodélicos.
A porcentagem de sessões de sucesso, extáticas, foi alta — acima de 90%. A hipótese ambiente-condição claramente contou a favor do DMT, em relação a experiências positivas. Mas havia certas características definidas da experiência que eram notavelmente diferentes de psicodélicos clássicos — LSD, psilocibina e mescalina. Primeiro de tudo, a duração. A transformação de 8 horas do LSD foi reduzida para 30 minutos. A intensidade também era maior. Isso significa que o estilhaçamento da percepção “aprendida” das formas, o colapso da estrutura adquirida, era muito mais pronunciado. “Olhos fechados” produziam uma suave, silenciosa, na velocidade da luz, dança redemoinhante de formas celulares incríveis — acre sobre acre, milha sobre milha de formas orgânicas em giro suave. Uma volta de foguete convolutiva, acrobática e suave através da fábrica de tecidos. A variedade e irrealidade dos precisos, fantásticos e delicados mecanismos da maquinaria orgânica. Muitos que experimentam LSD reportam odisséias sem fim através da rede de túneis circulatórios. Não com DMT. No lugar disso, uma volta na nuvem sub-celular em um mundo de beleza móvel e ordenada que desafia a busca por metáforas.
“Olhos abertos” produziam um colapso similar da estrutura adquirida — mas desta vez dos objetos externos. Rostos e coisas não mais tinham forma, mas eram vistos como um fluxo tremeluzente de vibrações (que é que elas são). A percepção de estruturas sólidas era vista como uma função de redes visuais, mosaicos, teias de energia luminosa.
A transcendência do ego-espaço-tempo foi o relato mais frequente. As pessoas frequentemente reclamavam que se tornavam tão perdidas no amoroso fluxo de existências infinitas que a experiência terminava muito rápido, e era tão suave que faltavam pontos de referência para tornar as memórias mais detalhadas. As costumeiras referências de percepção e memória estavam faltando! Não podia haver memória da sequência de visões porque não havia tempo — e nenhuma memória de estrutura porque o espaço foi convertido em um processo fluído.
Para lidar com esse problema, instituímos sessões programadas. Seria solicitado que a pessoa respondesse a cada dois minutos, ou ela seria apresentada a um estímulo para resposta a cada dois minutos. Os pontos de referência seriam, assim, fornecidos pelo pesquisador — a sequência temporal poderia ser quebrada em estágios e o fluxo de visões seria dividido em tópicos.
Como exemplo de uma sessão programada usando DMT, vamos considerar o relatório que se segue. O plano para essa sessão envolveu a “máquina de escrever experimental”. Esse dispositivo, descrito em uma artigo anterior (7), é projetado para permitir comunicação não-verbal durante sessões psicodélicas. Há dois teclados com dez botões para cada mão. As 20 teclas são conectadadas com um polígrafo de 20 canetas que registra uma marca em um rolo de papel em movimento cada vez que uma tecla é pressionada.
A pessoa precisa aprender os códigos de classificação da experiência antes da sessão e é treinada para responder automaticamente, indicando a área de sua consciência.
Nesse estudo foi combinado que eu seria questionado a cada dois minutos, para indicar o conteúdo de minha consciência.
A sessão aconteceu em uma sala especial, de 8 por 20, completamente coberta: teto, paredes e piso, por telas indianas alegres e coloridas. A sessão seguiu o modelo de “revezamento de guia”: outro pesquisador, uma psicofarmacologista, iria agir como interrogador para minha sessão. O farmacologista então repetiria a sessão, com Leary como interrogador.
Às 20h10, recebi 60 mg de DMT
Deitado no travesseiro, arrumando almofadas… relaxado e aguardando… de certa forma entretido por nossa tentativa de impor referências ao conteúdo temporal no fluxo do processo… ruído, suor, zunindo… olhos fechados… de repente, como se alguém tivesse apertado um botão, a escuridão estática da retina é iluminada… fábrica gigante de relógios preciosos de brinquedo, a fábrica de Papai Noel… não impessoal ou arquitetada, mas alegre, cômica, leve. A dança evolucionária, zunindo de energia, bilhões de formas derivadas girando, estalando através de seus turnos determinados no suave balé…
2º MINUTO. TIM: ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA? A voz de Ralph, declarativa, gentil… o quê? onde? você? olhos abertos… ali espalhados perto de mim estão dois insetos magníficos… pele polida, com metal brilhante, com jóias incrustadas… ricamente adornados, eles olham para mim docemente… queridos grilos venusianos radiantes… um tem um bloco em seu colo e está segurando uma caixa encrustada de jóias com brilhantes seções ondulantes trapezóides… olhar interrogativo… incrível… e perto dele o Sr. Grilo Diamante entra suavemente em vibrações… o Dr. Grilo Rubi-Esmeralda sorri… TIM ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA?… move a caixa na minha direção… ah sim… tente dizer a eles… onde…
Aos dois minutos, o paciente está sorrindo de olhos fechados. Ao ser questionado ele abriu os olhos, olhou para os observadores curiosamente, sorriu. Quando a pergunta sobre orientação foi repetida ele deu de ombros, moveu seu dedo procurando a máquina de escrever e (com um olhar de tolerância entretida) golpeou a tecla de “atividade cognitiva”. Ele então caiu de volta com um suspiro e fechou seus olhos.
Use a mente… explique… olhe para baixo nas caixas ondulantes… lutando para focar… use a mente… sim COGNITIVA… ali…
Olhos fechados… de volta ao workshop dançante… alegria… beleza incrível… a maravilha, maravilha, maravilha… obrigado… obrigado pela chance de ver a dança… tudo se encaixa junto… tudo se adequa ao padrão úmido, pulsante… um gigantesco penhasco acinzentado-branco, se movendo, cravado de pequenas cavernas e, em cada caverna, uma tira de antena de radar, insetos-elfos alegremente trabalhando, cada caverna a mesma, a parede cinza-branca infinitamente adornada por… infinitude de formas de vida… redes de energia alegres e eróticas…
4º MINUTO. TEMPO, ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA? Rodando pela tapeçaria do espaço, vem um voz lá de baixo… voz terrestre bondosa e querida… base na Terra chamando… onde está você?… que piada… como responder… estou no tubo de ensaio borbulhante do alquimista cósmico… não, agora o pó de estrela cadente suave me explode gentilmente… rostos estilhaçados em mosaico de vidro manchado… Dr. Lagosta da Tiffany segura o cesto de seções trapezóides… olha para chave brilhante… onde está a chave venusiana do êxtase?… onde está a chave para a explosão estelar do ano 3000?… IMAGENS DE PROCESSOS EXTERNOS… sim… pegou a chave…
Aos quatro minutos, o paciente ainda estava sorrindo de olhos fechados. Ao ser contatado para reportar, abriu seus olhos e riu. Olhou para os observadores com olhos brilhantes, examinou o teclado da máquina de escrever experimental e apertou a tecla de IMAGEM DE PROCESSO EXTERNO. Então caiu de volta e fechou seus olhos.
Que bom… eles estão aqui embaixo… esperando… sem palavras aqui para descrever… eles têm palavras lá embaixo… ondas de formas coloridas girando… repicando alegremente… de onde eles vêm… Quem é o arquiteto… impiedoso… cada fábrica dançante e ondulante devorando a outra… me devorando… padrão cruel… o que fazer… terror… ah deixa vir… me devorem… me engolfem no oceano de bocas de flocos de neve… tudo bem… como tudo se encaixa… piloto-automático… está tudo pensado… tudo no piloto-automático… de repente meu corpo estala e começa a desintegrar… fluindo para o rio de energia… tchau… fui… o que eu era está agora absorvido em um flash de elétrons… dirigido através do espaço sideral em pulsos orgásmicos de movimentos de partículas… libertação… emitindo luz, luz, luz…
6º MINUTO. TIM, ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA? Voz terrestre chamando… você aí em órbita nuclear… incorporação… agarre a partícula com feixe de energia… devagar… pare na estrutura do corpo… volte… com o abrir dos olhos a dança nuclear subitamente congela em forma fixa… vendo dois blocos de elétrons tremeluzindo… a galáxia Ralph chamando… a galáxia Sr. Ralph sorrindo… a dança de energia capturada momentaneamente na forma de robô amigável… olá… perto dele uma vela brilha… o centro da teia de um milhão de fechos de luz… a sala é capturada em uma rede de energia-luz… tremeluzindo… toda visão é luz… nada a enxergar a não ser ondas de luz… fótons refletidos do sorriso enigmático de Ralph… espera a resposta… fótons quicando das teclas da vibrante máquina de escrever… como é fácil transmitir uma mensagem… o dedo aperta IMAGENS DE PROCESSOS EXTERNOS…
Aos seis minutos, o paciente terminou de fazer caretas que pareciam ser de algum medo ou problema passageiro. Ao ser contatado para reportar, espiou pela sala e sem hesitar pressionou a tecla PROCESSOS EXTERNOS. Então fechou os olhos.
Olhos fechados… mas pós-imagens da chama da vela persistem… globos oculares presos em órbita em torno de um centro de luz interno… radiância celestial no centro de luz… luz do sol… toda luz é sol… luz é vida… vida, lux, luce, vida… tudo é uma dança de luz-vida… toda vida é o fio… carregando luz… toda luz é o frágil filamento de luz… som solar silencioso… transmitido das chamas do sol… luz-vida…
8º MINUTO. TIM, ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA? No coração da explosão de hidrogênio do sol… nosso globo é um globo de luz… abrir os olhos joga cortina sobre o clarão do sol… olhos abertos trazem cegueira… trancam a radiância interna… vendo Deus em contraste-escuro segurando uma caixa de sombra… onde é a vida?… pressione a TECLA DA LUZ BRANCA. Aos oito minutos, o paciente, que estava deitado imóvel sobre as almofadas, abriu seus olhos. Sua expresão era de confusão, surpresa. Sem expressão, pressionou a tecla LUZ BRANCA.
Mantendo olhos fechados… parado… capturado… hipnotizado… toda a sala, paredes floridas, almofadas, vela, formas humanas todas vibrando… todas as ondas não tendo nenhuma forma… imobilidade terrível… apenas fluxo de energia silencioso… se você se mover, vai destroçar o padrão… todas as memórias de formas, significados, identidades… sem significado… foi… tudo é uma emanação impiedosa de ondas físicas… fenômenos são pulsos televisivos estalando através de um programa interestelar… nosso sol é um ponto em uma tela de TV astrofísica… nossa galáxia é um minúsculo agregado de pontos em um canto de uma tela de TV… cada vez que uma supernova explode é apenas aquele ponto na tela mudando… o ciclo de dez milhões de anos do universo é um flash de milissegundo de luz na tela cósmica que flui infinita e rapidamente com imagens… sentado imóvel… não desejando movimento ou impor movimento no padrão… ausência de movimento em movimento na velocidade da luz…
10º MINUTO. TIM, ONDE ESTÁ VOCÊ AGORA? Torre de controle transmitindo mensagem de averiguação… inundação de amor fantástico por podermos nos contatar… permanecemos em contato… onde estava aquele agregado mesmo… alucinando… metáforas de ficção científica… onde está a chave… ali… ALUCINAÇÕES EXTERNAS…
Dos oito aos dez minutos o paciente sentou-se imóvel, olhos abertos em um estado de transe. Não houve tentativa de comunicação. Contatado, ele se moveu devagar mas determinado e pressionou a TECLA DE ALUCINAÇÕES EXTERNAS.
Trechos do Questionário de Pesquisa preenchido depois da sessão: perda do espaço-tempo… fusão com fluxo de energia… vendo todas as formas de vida como ondas físicas… perda do corpo… existência como energia… consciência de que nossos corpos são blocos momentâneos de energia e de que somos capazes de nos afinar com padrões não-orgânicos… certeza de que processos vitais estão no “piloto-automático”… nada a temer ou se preocupar… a complexidade e infinitude do processo vital… entendimento repentino do significado de termos da filosofia indiana como “maya”, “maha-maya”, “lila”… insight dentro da natureza e diversos estados transcendentais… a vazia-luz-branca-do-não-conteúdo, êxtase da estruturação temporária da forma-meta-vida-inorgância da estrutura do código genético musical e o…
12º MINUTO. TIM, ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA? Olhos abertos… risada… pego pela torre de controle vigilante ao orbitar em torno de uma área da mente terrena e descobridora… onde é a tecla para pensamentos terrenos?… alucinações… não, o jogo do pensamento… pressione TECLA COGNITIVA…
Do 10º ao 12º minuto, o paciente sentou olhando sem expressão e sem movimento para a parede da sala. Ao ser contatado, sorriu e pressionou a tecla COGNITIVA.
Acima da cabeça está a lâmpada coberta com enfeites de escurecimento para luz azul… circulando a sombra brilhante estão faixas ondulares… silenciosas… acenando… convidando… junte-se a dança… deixe seu robô… um universo inteiro de coreografias aéreas prazeirosas aguarda… sim, juntar-se a eles… de repente, como fumaça subindo de um cigarro, a consciência subiu… indo em caminhos de gaivota até a fonte da luz e, silenciosamente, para outra dimensão…
Do questionário de pesquisa: uma descrição do nível atingido é uma yoga em prosa além da realização atual… havia bilhões de cartas de arquivo, em hélice, que num passar de olhos me confortava com uma biblioteca sem fim de eventos, formas, percepções visuais — não abstratas, mas empíricas… um bilhão de anos de experiências codificadas, classificadas, preservadas em claridade brilhante, pulsante e fria, que fazia a realidade ordinária parecer um show barato, fora de foco, esfarrapado, desengonçado, indeciso, gasto e de mau gosto… qualquer pensamento, uma vez pensado, instantaneamente se tornava vivo e piscava através do diafragma da consciência… mas ao mesmo tempo não havia ninguém para observar… eu… ele… aquele que está consciente… todos vibrando em uma visão eletrônica em technicolor, VEJA!, para aquele que tem estado cego por séculos…
14º MINUTO. TIM, ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA? Oh, onde estamos agora?… oh, escute, aqui está onde estamos… uma vez havia um ponto elétrico brilhante… piscar repentino em lama pré-crambriana… o ponto se balança e se agita em uma contorção tremida com traços de alegria, cantoria, soluçar e calafrios… para cima… uma serpente começa a se torcer em direção à suave e quente fenda… minúsculo, do tamanho de um vírus… crescendo… o comprimento enorme de um bacilo microscópico… fluindo exultante, sempre cantando a melodia da flauta hindu… sempre explodindo, se esfoliando… agora do tamanho de uma raiz de musgo, zunindo através de espamos úmidos… crescendo… crescendo… sempre desfolhando sua própria visão… sempre cego, exceto pelo ponto frontal da luz-olho… agora correias de pele de cobra, sacudindo mosaicos de jóias ritmicamente, adiante como cobra… agora do tamanho de um tronco de árvore, sensual com o graxa espérmica correndo dentro… agora inchando em uma enchente de esticamento de tecido… rosa, corrente lamaçal de fogo melodioso… agora circulando o globo, apertando oceanos salgados verdes e montanhas marrom-argila entalhadas em um abraço constritor… serpente fluindo cegamente, agora uma torcida cobra de vértebras elétricas de um bilhão de milhas sem fim cantando a melodia hindu da flauta… cabeça de pênis palpitando… mergulhada em todos os odores, toda a tapeçaria colorida de tecido… contorcimento cego, serpente intumescida circular cega, cega, cega, exceto pelo único olho de jóia que, por um fragmento de piscar, a cada célula no desfile progressivo é permitido aquele momento cara-a-cara de insight de chama solar no futuro-passado.
TIM, TIM, ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA? A torre de La Guardia repete solicitações de contato com um navio perdido além do abrangência do radar… onde?… sou o olho da grande cobra… uma dobra na pele da serpente, dando mergulhos trapezóides… registrando conteúdos da consciência… onde está você?… aqui… ALUCINAÇÕES INTERNAS.
Do 12º ao 14º minutos, o paciente sentou silenciosamente com olhos fechados. Ao ser contatado, falhou em responder e, após 30 segundos, foi contatado novamente. Então pressionou a tecla ALUCINAÇÃO EXTERNA.
A sessão continuou com interrupções de dois minutos até o 20º minuto no mesmo padrão: vôos atemporais pelos alucinantes campos de vibração de energia pura com repentinas contrações em direção à realidade para responder às questões do observador.O relatório da sessão preenchido no dia seguinte continha os seguintes comentários sobre esse método de sessão programada:Essa sessão sugeriu algumas soluções para o problema da comunicação durante experiências psicodélicas. A pessoa “lá em cima” está passando por experiências que rodopiam tão rápido e contêm conteúdo estrutural tão diferente de nossas formas macroscópicas familiares que ela, possivelmente, não consegue descrever onde está ou o que está experimentando. Considere a analogia do piloto de avião que perdeu a orientação e que fala com a torre de controle. O piloto está experimentando muitos eventos — pode descrever as formações de nuvens, flashes de luz, a cristalização de gelo na asa visível da janela — mas nada disso faz qualquer sentido para os técnicos da torre que tentam traçar o curso na linguagem tridimensional de navegação. A pessoa “lá em cima” não pode fornecer coordenadas. A equipe de controle no chão deve transmitir: “Cessna 64 Bravo, nosso radar mostra que você está a 15 milhas a sudoeste do Aeroporto Internacional. O brilho vermelho que você vê é o reflexo de Manhattan. Para entrar na rota para Boston você precisa mudar o curso em 57 graus e manter uma altitutde de 5500″.
Mas a linguagem da psicologia não é sofisticada o suficiente para fornecer tais parâmetros. Nem há compassos empíricos para determinar a direção.
O que podemos fazer, nesse ponto, é configurar “planos de vôos”. O paciente pode trabalhar, antes da sessão, as áreas de experiência com que quer interagir; e ele pode planejar a sequência temporal de sua viagem visionária. Ele não será capaz, durante o vôo, de dizer aos “controladores” onde está, mas eles podem contatá-lo e dizer como ele deve proceder. Assim, durante essa sessão, quando Ralph perguntou, ONDE VOCÊ ESTÁ AGORA?, não pude responder. Tive que descer, diminuir o fluxo da experiência e então contar a ele onde acabei chegando.
Quando fizeram a pergunta de contato, eu poderia estar esbarrando em outras galáxias. Para poder responder, tive que parar minha jornada livre e errante, chegar perto da terra e dizer: “Estou sobre New Haven”.
Essa sessão foi um contínuo e serial venha-para-baixo. Repetidamente, tive que parar o fluxo para poder responder. Meu cortex estava recebendo centenas de impulsos por segundo, mas para responder às perguntas da torre de controle tive que reduzir a nave para uma marcha lenta: “Estou aqui”.
Essa sessão sugere que um modo mais eficiente de mapear experiências psicodélicas seria:
1 – Memorizar o teclado da máquina de escrever experimental, para que a comunicação com o controle de solo seja automática.
2 – Planejar a sessão de modo que os controladores não perguntem coisas irrespondíveis — “Onde realmente estou?” — mas digam ao paciente onde ir. Então a tarefa de comunicação do viajante seria indicar se ele está no curso, isto é, se ele está ou não seguindo as instruções de vôo transmitidas pelos controladores.
O controle de solo deveria enviar estímulos. A sugestionabilidade está totalmente aberta. A torre La Guardia direciona o vôo.
VOCÊ APRENDEU ALGO DE VALOR COM ESSA SESSÃO? SE SIM, POR FAVOR ESPECIFIQUE: “A sessão foi de grande valor. Estou forte e claramente motivado a desenvolver métodos de controle de solo e vôos planejados”.
APROXIMADAMENTE QUANTO DA SESSÃO (EM %) FOI GASTO EM CADA UM DESSES ASPECTOS?
1 – JOGOS INTERPESSOAIS (afeição pelos observadores) – 10%
2 – EXPLORAÇÃO OU DESCOBERTA DE SI, OU JOGOS DO EGO – 0%
3 – OUTROS JOGOS (SOCIAIS, INTELECTUAIS, RELIGIOSOS) – 70% (intelectuais, lutando com o problema da comunicação)
4 – TRANSCENDÊNCIA ALÉM DOS JOGOS – 20% (continuamente)
Referências
1 – Szara, S: Hallucinogenic effects and metablism of tryptamine derivatives in man. Fed. Proc. 20: 858-888, 1961.
2 – Szara, S: Correlation between metabolism and behavioral action os psychotropic tryptamine derivatives. Biochem. Pharmacol., 8: 32, 1961.
3 – Szara, S: Behavioral correlates of 6-hydroxylation and the effect of psychotropic tryptamine derivatives on brain serotonin levels. Comparative Neurochemistry, ed. D. Richter, pp. 432-452. Pergamon Press, Oxford, 1964.
4 – Szara, S. & Axelrod, J.: Hydroxylation and N-demethylation N,N-dimethyltryptamine. Experientia, 153: 216-220, 1959.
5 – Szara, S., Hearst E. & Putney F.: Metabolism and behavioral action of psychotropic tryptamine homologues. Int. J. Neuropharmacol., 1: 111-117, 1962.
6 – Schultes, R.E. Botanical Sources of the New World Narcotics. In Weil, G.M., Metzner, R. & Leary, T. (eds). The Psychedelic Reader, University Books, New Hyde Park, 1965.
7 – Leary, T. The Experiential Typewriter. Psychedelic Review, No. 7. 1965.

CHANGA - Guia prático



Fonte: Guide to DMT Enhanced Leaf  / DMT - Guia de bolso

Traduzido e adaptado: Equipe DMT Brasil
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Quando infuso com algumas ervas em particular, o DMT invoca uma experiência quase completamente diferente. Profundamente carregada eletricamente, cores e sensações atravessam você como uma faca quente na manteiga. As ervas trazem mais para a experiência do que você consegue imaginar possível. É tão simples de romper as barreiras, tão simples de usar e simplesmente incrível! Resumindo, qualquer pessoa que se considere um entusiasta do DMT precisa experimentar esse método pelo menos uma vez; com toda a honestidade que é a única maneira de voar. 

Algumas sugestões de ervas possíveis:

Ipê / Pau d'arco (Tabebuia sp.): ricas e exuberantes paisagens prazerosas
Lótus azul/branca/rosa (Nymphaea caerulae): um caráter luminoso e distintamente agradável
Erva-dos-sonhos (Calea zacatechichi): a erva dos sonhos é perfeita para uma sinergia
Flor de maracujá (Passiflora sp.): contém IMAO que potencializa e prolonga da experiência
Cipó Mariri (Banisteriopsis caapi): adiciona uma qualidade espiritual e potencializa e prolonga a experiência
Damiana (Turnera diffusa): sabor e vibração únicos
Flores de trombeta (Brugmansia sp.): caráter distinto de outro mundo
Raiz africana dos sonhos (Silene capensis): aumentar a lucidez as visões
Hortelã-pimenta / Hortelã-do-campo (Mentha piperita / Mentha arvensis): adiciona qualidades refrescantes e calmantes
Mullein (Verbascum thapsus): cura respiratória e propriedades calmantes
Sinicuichi (Heimia salicifolia): aumenta as alucinações auditivas
Chambá (Justicia pectoralis): sabor suave e cheiro agradável
Sálvia (Salvia divinorum): atua como uma abridora e uma facilitadora
Chaliponga (Diplopterys cabrerana): adiciona uma qualidade espiritual e mais magia
Mugwort (Artemisia sp.): sinergia sonhadora e poderes místicos
Indian Warrior (Pedicularis densiflora): efeitos psicoativos sedativos
Skullcap (Scutellaria lateriflora): fortalecedora, calmante e sedativa do sistema nervoso
Lion's tail (Leonotis leonurus): erva eufórica


Miscelâneas:

Calêndula (Calendula officinalis)
Pituri (Duboisia hopwoodii)
Lavanda (Lavandula angustifolia / Lavandula dentata) 

Salvia Branca (Salvia apiana)


Aditivos:

5-MeO-DMT
Extrato de Harmala
Bufotenina


Blends:

Ayahuasca Android: 70% Caapi + 30% Chaliponga
Dream Scape: 60% Erva-dos-sonhos + 40% Flores de Trombeta
Electric Sheep: 50% Lótus-azul + 50% Erva-dos-sonhos
Minty Blast: 40% Caapi + 35% Hortelã + 25% Mullein
The Mekong: 50% Flor de Maracujá + 50% Lótus-azul
Twisted Fruit: 50% Caapi + 20% Salvia + 30% Mugwort (+ opcional de Bufotenina)


Tradicionalmente, o Changa é uma mistura, um blend de ervas em combinação com alguma planta que contenha IMAO, tipicamente o cipó Banisteriopsis Caapi. No entanto, você não precisa procurar quais ervas vão se misturar melhor ou se preocupar com as proporções entre elas. Para começar, simplesmente pegue uma das ervas da lista acima e use-a como o único ingrediente para preparar o Changa, isso vai lhe dar a certeza e uma maior compreensão dos efeitos de cada folha e é o meu método preferido. Posteriormente você vai querer experimentar e então poderá misturar e combinar as ervas que você gostou mais ou testar algum dos blends sugeridos.

Uma coisa importante a se lembrar quando for fumar o Changa é certificar-se de que vai puxar devagar para ele queimar realmente bem, a idéia central aqui é o calor que por sua vez irá liberar todo o DMT - segurando como de costume por aproximadamente 10-20 segundos. Se você fumar muito rápido não irá vaporizar todo o DMT, praticamente jogando fora seu trabalho duro, então faça valer a pena! Sem dúvida as minhas experiências mais fortes foram quando eu puxei a fumaça num ritmo de caracol, queimando cada pedacinho em potencial da folha. Ainda que isso seja em referência ao bong, também deve ser assumido quando for usar um cachimbo, no entanto, eu sinto que o bong é o único meio eficaz para uma experiência completa. Dependendo do tamanho, é claro, o bong aumenta muito a quantidade de fumaça que você consegue inalar de uma só vez, o que é importante, e torna a fumaça consideravelmente mais suave uma vez que é esfriada e reabastecida pela água.

Eu tenho achado que meia-dose para começar seguida de uma dose-cheia, após o pico dos efeitos, faz a dose-cheia ser muito mais fácil, rápida e melhor pois permite que a adrenalina e a aceleração inicial atribuída a meia-dose diminui antes de ir além, criando uma atmosfera mais relaxante e receptiva - para os usuários de primeira viagem também é bom para calcular e prever a potência da dose-cheia. Essencialmente, você já decolou da plataforma de lançamento mas na velocidade de cruzeiro, por isso, quando o turbo for ligado na potência máxima não é tanto como uma sacudida forte, é mais suave e nítido. Isso tornou-se habitual para mim uma vez que permite a experiência posterior de ser mais gratificante e minimiza em muito as chances de ser "muito em pouco tempo",  o que pode se tornar avassalador se não estiver preparado. No entanto, após a aceleração completa inicial ter ocorrido, eu ainda tenho que encontrar esse ponto do "muito em pouco tempo" e duvido que isso seja mesmo possível, enquanto existente na realidade do Changa.

Na minha experiência, a hora do dia e a iluminação tem desempenhado um papel central nos efeitos das diferentes ervas. Em grandes doses com folhas contendo IMAO não importa muito se é de dia ou de noite porque a potência imposta sobre você te rompe completamente da existência. Mas quando experimentando com as outras ervas, especificamente o Ipê, eu tenho achado a noite com uma iluminação bem fraca, escura, ambiente funcionando melhor. Por alguma razão a experiência só é ativada corretamente quando está escuro, se é feito durante o dia efeitos completamente diferentes são experimentados, tudo em referência aos olhos abertos. Ainda é agradável e diferente no seu sentido particular, especialmente se feito em lugar descoberto num dia ensolarado, mas para uma experiência completa é necessário um ambiente escuro. Normalmente ter uma luz indireta num quarto perto ou no corredor próximo ao lugar onde se está funciona bem. Caso contrário, com todas as luzes apagadas e apenas as velas acesas funciona com muito encanto!

Eu tenho achado o uso do bong como tendo um efeito substancial na experiência. Bongs muito grandes tendem a diluir muito a fumaça, mas geralmente são muito fáceis para usuários inexperientes. Um bong pequeno, de aproximadamente 10cm de altura, por sua vez lhe dará uma experiência muito forte e direta. A fumaça vai direto do cone do bong para seus pulmões com muito pouco ar para diluí-la, mas não é uma técnica definitiva para o sucesso e você vai precisar de pulmões largos para digeri-la - antes mesmo de meio cone você já tem uma boa quantidade de fumaça nos pulmões e até terminar tudo, as vezes sequer sem conseguir, você já não tem a menor idéia sobre qualquer coisa. A maioria das minhas experiências mais fortes foram usando um bong de altura pequena e eu percebi que há uma diferença nítida entre um bong grande e um pequeno.

Parte da razão pela qual o Changa é tão bom é devido ao fato de que é tão fácil de usar, o que significa que você não precisa estar completamente sóbrio para encher a próxima dose, mexendo com o cristal e etc. Não só isso, mas de alguma maneira usos sucessivos se tornam melhores e melhores sem desenvolvimento de tolerância (após 10 usos sucessivos diferenças sutis começam a aparecer), mesmo esperando pouco tempo como 5 minutos entre os usos. Ele apenas continua mais e mais enérgico, fazendo expedições extremamente longas. O Changa também se parece com as folhas naturais e você pode guardá-lo nas embalagens originais das ervas tornando-o extremamente anônimo e discreto, em comparação com carregar o cristal puro. O cheiro, o sabor e a sensação de fumar o Changa é uma experiência realmente agradável, você sente cada partícula de fumaça passar através da sua garganta preenchendo seus pulmões com um aroma atômico dourado aveludado - seu rosto se ilumina apenas com esse sentimento, quando a fumaça começa a fazer efeito.


Finalmente, quando estiver preparando o Changa uma coisa importante a se lembrar é de deixar a erva secar completamente antes de prová-la pois fumar acetona pode fazer você se sentir dolorosamente doente após poucos usos. Se você é impaciente como eu e não consegue esperar um dia extra ou dois antes da mistura ficar completamente seca, simplesmente queime a dose com um isqueiro no bong ou pipe antes de fumar e depois tire, se continuar queimando significa que ainda há acetona, apenas deixe terminar de queimar e deverá estar bom para decolar. Por último, se deseja utilizar o extrato de Harmala tenha certeza que é um produto muito puro. 


AVISO: utilizar Harmalas com ISRS's recreacionais/farmacêuticos ou estimulantes pode ser potencialmente perigoso.

Se você ainda não experienciou a beleza imponente, impressionante e brilhantemente mágica do Changa eu sugiro fortemente que você o faça.

Para aqueles que estão interessados em como fazer o Changa a receita a seguir foi retirada do DMT - Guia de bolso.


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PREPARAÇÃO DO CHANGA

(PASSO 1) Há duas coisas a se considerar: a erva utilizada para a mistura (ver acima) e a potência da mistura. A proporção de DMT/Erva pode ter um impacto significativo na experiência. Primeiramente, a potência da folha implica a quantidade necessária a ser fumada para alcançar os efeitos completos. Fazer uma mistura muito fraca é indesejável pois você precisará fumar uma quantidade muito grande para chegar lá. Fazer uma mistura muito forte é bom para os experientes, mas difícil de dosar para os inexperientes. Além disso, quanto menos DMT tiver na mistura, a grande quantidade de erva que terá que ser fumada vai influenciar ainda mais na experiência. Algumas vezes isso é exatamente o que é desejado, algumas vezes não. Independente disso, uma experimentação cuidadosa é necessária para se achar o ponto agradável da mistura. 
Eu tenho achado a proporção 1:1 de DMT/Erva sendo muito forte para a maioria das pessoas e somente uma pequena quantidade é necessária para se decolar completamente (em relação a uma dose-cheia). 
Uma proporção 2:3 (2 partes de DMT puro / 3 partes de erva - pouco mais fraco do que 1:1) permite um pouco mais de perdão se se colocar uma dose-cheia, e permite que a erva tenha mais influência na experiência do que a proporção 1:1. 

Esta fórmula simples é utilizada para se determinar a quantidade de erva necessária para a proporção desejada: 

Q(erva) = Q(DMT) x P(erva) / P(DMT)

Onde: 
Q(erva) é a quantidade de erva ser utilizada.
Q(DMT) é a quantidade de DMT a ser utilizada.
P(erva) são as partes da erva a ser utilizada (na proporção)
P(DMT) são as partes de DMT a ser utilizada (na proporção)

Exemplo: vamos utilizar 5 gramas de DMT para fazer um Changa de proporção 2:3 (DMT/Erva)

Q(erva) = 5 x 3/2 = 7,5   -   Ou seja, é necessário utilizar 7,5g de folhas para se alcançar a proporção desejada.  



(PASSO 2) Pese a quantidade de folhas que você quer misturar com o DMT na proporção desejada, use a fórmula acima.

(PASSO 3) Utilizando a folha em pedaços pequenos, consistente com o fato de que vai ser fumada depois, torna a vida mais fácil. A foto é uma mistura de 4g de erva-dos-sonhos (Calea zacatechichi) + 3,5g de flores de trombeta (Brugmansia sanguinea).











(PASSO 4) Pese a quantidade de DMT necessária para misturar na proporção desejada.















(PASSO 5) Dissolva totalmente o DMT puro em
um dos solventes a seguir:

  • 100% Álcool Etílico
  • Acetona
  • Álcool Isopropílico
Utilize 40ml de solvente por grama de DMT.

Você vai precisar utilizar uma vasilha que permita que sua mistura fique de 5-10mm de altura.



(PASSO 6) Adicione as folhas à mistura do solvente com DMT e mexa como um redemoinho para que toda a folha se espalhe uniformemente pela vasilha.

Se precisar, adicione um pouco mais de solvente para que a mistura fique totalmente coberta.

Coloque a vasilha em um lugar que ela irá permanecer imperturbável por vários dias.

Neste exemplo, levou 4 dias para a Acetona evaporar totalmente e o Changa secar.


(PASSO 7)

Uma vez seco, o Changa pode ser pesado. Ele deve ser mais pesado devido a quantidade de DMT que foi adicionado à folha.









Bem, agora que você possui um bom Changa você pode ir mostrar aos seus amigos e familiares quão ocupado você esteve.

DMT é uma substância mágica e maravilhosa que todos deveriam saber sobre ela. 

Espero que em breve você vai perceber as mesmas coisas que eu.

Aproveite!


DMT - Guia de Bolso (inglês)




Part 1: Extraction of DMT 1
Step 1: Prepare the Bark 3
Step 2: Acid Cook 5
Step 3: Basify and Extract 7
Step 4: Freeze Precipitation 10

Part 2: Methods of Purification 11
Section 1: Recrystallisation 11
Section 2: Crystal Growing 14

Part 3: Salting 16
Section 1: Theory 16
Section 2: Practical 17

Part 4: Making DMT Enhanced Leaf 21

Part 5: Methods of Ingestion 24

Suggestion 1: Smoking Enhanced Leaf 24
Suggestion 2: Smoking Crystal 25
Suggestion 3: Using Salts 26
Suggestion 4: Pharmahuasca 27

DOWNLOAD

Cientistas encontram DMT na glândula pineal de ratos vivos

Artigo original: http://psychedelicfrontier.com/2013/05/dmt-found-in-the-pineal-glands-of-live-rats/

Tradução: Equipe DMT Brasil

Obligatory trippy fractal

A Cottonwood Research, uma fundação dedicada a estudar a consciência e liderada por Rick Strassman, está publicando um estudo que confirma a existência (e eles argumentam, a produção) de dimetiltriptamina nas glândulas pineal de ratos. Isso alicerça o caminho para mais pesquisas determinarem se o DMT endógeno nos humanos também é originado na glândula pineal, como tem sido especulado por Strassman e outros pesquisadores. Do site deles:


"Nós estamos excitados de anunciar a aprovação para publicação de um artigo documentando a presença de DMT na glândula pineal de roedores vivos. O artigo vai aparecer no jornal Biomedical Chromatography e descreve os experimentos que foram feitos no laboratório do Dr. Jimo Borjigin na University of Michigan, onde as amostras foram coletadas...

A glândula pineal tem sido um objeto de grande interesse em relação a consciência durante milhares de anos, e uma fonte de DMT na pineal poderia ajudar a dar suporte ao papel dessa glândula enigmática nos estados unusuais de consciência. Uma pesquisa na University of Wisconsin demonstrou recentemente a presença da enzima que sintetiza DMT assim como a atividade do gene responsável por essa enzima na pineal (e na retina). Nossa nova pesquisa agora estabelece que a enzina produz ativamente DMT na pineal.

O próximo passo é determinar a presença do DMT no fluido cérebroespinhal, o fluido que banha o cérebro e a pineal. O fluido cérebroespinhal é uma rota possível para o DMT sintetizado na pineal efetuar mudanças no cérebro. Estabelecendo com sucesso a presença de DMT nessa glândula adiciona-se outro elo na cadeia entre a pineal e a consciência, e abre-se novos caminhos para pesquisa."




É importante realizar que esse é apenas um estudo, ainda a ser publicado, revisado e replicado por outros cientistas. Nós ainda não temos o texto do estudo para examiná-lo em detalhes. Até eu ter mais informações sobre o estudo e outros laboratórios estarem aptos a replicar os resultados, eu continuo cético, mas otimista.

Vários estudos já estabeleceram a existência de DMT endógeno em humanos, juntamente com muitas outras espécies de plantas e animais. Ainda continua difícil identificar seu ponto de origem, no entanto, devido ao seu rápido metabolismo. DMT ocorre em quantidades ínfimas (traços) e é prontamente quebrada pela monoamina oxidase, uma enzima comumente encontrada nos corpos dos animais. Não está claro qual propósito biológico o DMT serve em todo organismo, especialmente porque ele ocorre em níveis muito abaixo das doses recreacionais.

A pineal é uma pequena glândula endócrina localizada perto do centro do cérebro. Ela produz melatonina, uma hormônio envolvido na modulação do humor, ritmo circadiano, e mudanças sazonais no corpo. Mistérios sempre envolveram esse pequeno órgão e sua função ainda não é completamente compreendida, como essa pesquisa deixa aparente. René Descartes mesmo especulou que a glândula pineal é a "morada da alma", a interface onde a mente encontra o cérebro.

Aqui está mais informação sobre o estudo da University of Wisconsin mencionado acima, cortesia do Wikipedia (não confundir com o estudo novo, que concerne a ratos). Esse estudo anterior lançou as bases para uma investigação maior demonstrando a existência da enzima INMT, que é capaz de sintetizar DMT, em tecidos de primatas.


"Em 2011, Nicholas V. Cozzi, da Escola de Medicina e Saúde Pública da University of Wisconsin, concluiu que o INMT, uma enzima que pode estar associada com a biossíntese de DMT e alucinógenos endógenos, está presente na glândula pineal de primatas (macaco rhesus), neurônios ganglionares da retina e na medula espinhal[105]. Em agosto de 2012, Steven Barker, Ethan McIlHenny e Rick Strassman desenvolveram um novo método para medir os três alucinógenos endógenos conhecidos e os seus principais metabólitos óxidos no sangue, urina, fluido cérebroespinhal, fluido ocular e/ou outros tecidos utilizando o equipamento de cromatografia líquida com espectrometria de massa (GC-MS). Pela primeira vez na história, eles foram capazes de detectar o N-óxido-DMT metabólito no sangue e na urina [106]."